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Quarta, 23 Maio 2012 03:04

Reis do Agronegócio

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Os maiores empreendedores do setor que consegue passar √† margem da crise econ√īmica produzem 22 milh√Ķes de toneladas de comida por ano, empregam mais de 50 mil pessoas e faturam anualmente pelo menos R$ 6 bilh√Ķes

 
O homem do campo segura a economia no la√ßo e no arado. Ele deixou de ser o caipira matuto para se transformar no respons√°vel pelo motor do desenvolvimento brasileiro. Os n√ļmeros s√£o inquestion√°veis. O agroneg√≥cio nacional desponta como a barra de sustenta√ß√£o que n√£o deixa o quadro recessivo ficar ainda mais grave. Al√©m de matar a fome de todos os brasileiros, tamb√©m alimenta a economia interna com faturamentos polpudos e d√≥lares colhidos com as exporta√ß√Ķes. Ser produtor rural, nos dias de hoje, representa ser empres√°rio de ponta.

A reportagem do ESTADO DE MINAS buscou os dez maiores empreendedores do campo, respons√°veis pela produ√ß√£o dos alimentos mais presentes nas mesas dos brasileiros: arroz, feij√£o, leite, caf√©, frango, carne, laranja, a√ß√ļcar, soja e banana. Juntos, eles tiram de 150 mil hectares de terra mais de 22 milh√Ķes de toneladas de comida, ao ano. Para completar, em meio √† onda de desemprego que atingiu o Pa√≠s, assinam as carteiras de trabalho de mais de 50 mil pessoas. Faturam, por baixo, R$ 6 bilh√Ķes ao ano. √Č mais de tr√™s vezes o valor do or√ßamento total da Prefeitura de BH para 2003, de R$ 1,8 bilh√£o.

A sele√ß√£o dos dez reis do agroneg√≥cio brasileiro foi feita a partir dos n√ļmeros de produ√ß√£o, empregos gerados, faturamento e √°reas das fazendas. Foram consultadas entidades de classe, sindicatos e associa√ß√Ķes, como a Confedera√ß√£o da Agricultura e Pecu√°ria do Brasil (CNA). A reportagem considerou os √ļltimos dados de produ√ß√£o. Os produtores s√£o simples. Trabalham mais de dez horas por dia e sabem dos n√ļmeros de produ√ß√£o na ponta da l√≠ngua.

S√£o homens de peso n√£o s√≥ no Brasil, mas tamb√©m no exterior. As 2,2 milh√Ķes de toneladas de soja produzidas ao ano por Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, s√£o suficientes para suprir as necessidades do gr√£o de toda a Am√©rica Latina, deixando de lado apenas dois pa√≠ses, M√©xico e Argentina. O arredio Jos√© Luis Cutrale, do Grupo Cutrale, √© respons√°vel pela venda de um a cada tr√™s copos de suco de laranja consumidos no mundo. O maior criador de gado nelore do Pa√≠s, Roque Quagliato, poderia presentear toda a popula√ß√£o de Po√ßos de Caldas, no Sul de Minas, com um animal. Detalhe: a cidade tem 141 mil habitantes e ainda sobrariam para Quagliato 10 mil cabe√ßas. Fl√°vio Guarani, o rei do gado na produ√ß√£o de leite, pode fornecer sozinho dois copos di√°rios da bebida para todos os 101 mil moradores de Itabira, na regi√£o Central do Estado.

Do Jap√£o ao Norte de Minas Gerais

Ele gosta de viajar de carro ‚Äď avi√£o, somente em casos de muita necessidade. Adota um estilo de vida simples e evita procurar banco. Quando algu√©m lhe pergunta qual o segredo do sucesso, a resposta √© curta: ‚Äúa dedica√ß√£o ao neg√≥cio‚ÄĚ. Esse √© o perfil de Yuji Yamada, de 56 anos, pai de cinco filhos e maior produtor individual de banana do Brasil.

A maior parte dos seus plantios est√° localizada nos munic√≠pios de Itacarambi, Ja√≠ba e Jana√ļba, contando com √°reas dentro dos projetos de irriga√ß√£o do Ja√≠ba e Gorutuba, no Norte de Minas. Mas est√° expandindo seus neg√≥cios, com 100 hectares cultivados no Estado do Tocantins.

O imigrante japon√™s chegou ao Brasil com apenas 13 anos de idade, acompanhando seus pais. Come√ßou a plantar banana junto com sua fam√≠lia no Vale do Ribeira, em S√£o Paulo. Enfrentou preju√≠zos, impostos pelas enchentes no Ribeira. Foi a√≠ que decidiu se mudar para o Norte de Minas, ainda na d√©cada de 60. ‚ÄúEu queria um lugar onde n√£o houvesse enchente‚ÄĚ ‚Äď conta Yamada, que, √† √©poca, estava com pouco mais de 20 anos de idade.

Em 15 anos, Líder do feijão no Brasil

Ele queria apenas um pedacinho de ch√£o. Mas acabou criando um imp√©rio agr√≠cola de um dos principais itens da mesa de alimenta√ß√£o do dia-a-dia do brasileiro: o feij√£o. O ga√ļcho Ant√©rio Manica deixou o Paran√° em 1978. Com a mulher e dois filhos, foi para Una√≠, Noroeste de Minas Gerais, onde as terras eram ociosas e depreciadas. ‚ÄúEram muito mais baratas e valiam 5% do pre√ßo do Paran√°. Est√£o na regi√£o do Cerrado, onde o solo s√≥ corrige se usar calc√°rio e adubo corretivo‚ÄĚ, explica Manica. Na √©poca, ele tinha 23 anos e nem pensava em plantar feij√£o. ‚ÄúAntes n√£o tinha cultura irrigada e a gente dependia da boa vontade de S√£o Pedro para molhar a planta√ß√£o‚ÄĚ, diz. Seu neg√≥cio no passado era dedicado basicamente ao cultivo de arroz, soja e milho.

Em 1988, Manica decidiu fazer uma tentativa com a planta√ß√£o de feij√£o em sua propriedade rural. ‚ÄúFiquei mais animado porque j√° era poss√≠vel usar o piv√ī central e a cultura irrigada‚ÄĚ, diz. Come√ßou em uma √°rea de 1.325 hectares. Com o passar do tempo, o feij√£o foi tendo mais espa√ßo nas atividades de sua fazenda e atualmente ocupa 10 mil hectares de terra. Em um per√≠odo de quinze anos, Manica deu um salto no plantio e √© atualmente o maior produtor individual do Pa√≠s.

Mineiro desbanca o rei do gado

A lideran√ßa nacional dos neg√≥cios com leite e carne √© de dois homens que se encantaram pelos bovinos e apostaram na for√ßa da pecu√°ria: um mineiro, Fl√°vio Guarani, e um paulista de Boa Esperan√ßa do Sul, Roque Quagliato. Guarani, de 56 anos, sempre foi banqueiro e industrial, como s√≥cio do banco Mercantil (8% da carteira de a√ß√Ķes) e ex-executivo da Refrigerantes Minas Gerais, principal distribuidora da Coca-Cola no Estado. Tornou-se fazendeiro meio por acaso, em 1998, quando a Coca reassumiu suas franquias.

Guarani √© hoje o maior investidor brasileiro no agroneg√≥cio de leite. H√° 30 dias, ultrapassou a marca dos 51 mil litros de leite por dia. Desbancou o paulista Olavo Barbosa, de Guaxup√©, que chegou a inspirar a novela ‚ÄúRei do Gado‚ÄĚ, exibida pela TV Globo h√° oito anos (46 mil litros de leite por dia).

Gra√ßas ao perfil de Guarani, a Fazenda S√£o Jo√£o, em Inha√ļma (MG), √© tocada como uma ind√ļstria. ‚ÄúA diferen√ßa √© que as m√°quinas est√£o vivas‚ÄĚ, compara. O resultado foi conseguido em tempo recorde. H√° cinco anos, as terras vinham sendo preparadas dentro das mais modernas t√©cnicas. Em 2000, receberam o primeiro bezerro. Em janeiro de 2002, os filhotes deram cria. Em seis meses, Guarani era j√° o segundo produtor de leite do Pa√≠s. Seu empreendimento √© o primeiro projeto de pecu√°ria de leite 100% planejado do Pa√≠s e foi inspirado por sua segunda esposa, Huguette.

O negócio de Roque Quagliato, de 63 anos, com o gado de corte também é de família e utiliza alta tecnologia de manejo e reprodução. Junto com seus três irmãos, Fernando Luiz, João Luiz, Francisco Eroides, ele se transformou no maior produtor de nelore do País, de acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), com mais de 151 mil cabeças de gado.

Uma enciclopédia na hora de falar de arroz

Simples e bem-humorado, o engenheiro civil √Črico da Silva Ribeiro tem todos os n√ļmeros na ponta da l√≠ngua, quando o assunto √© produ√ß√£o agr√≠cola. Se o produto em quest√£o √© o arroz, o ga√ļcho parece uma enciclop√©dia com os dados do setor. Sem pensar muito, responde rapidamente sobre tudo: desde produ√ß√£o per capita brasileira, consumo m√©dio, d√©ficit de produ√ß√£o, at√© evolu√ß√£o de safra.

Ribeiro come√ßou a atuar com a produ√ß√£o de arroz quando tinha 24 anos de idade, na empresa do pai, Lauro Ribeiro. H√° quem diga que n√£o √© preciso nenhum esfor√ßo para virar rei quando a coroa √© heredit√°ria. Mas n√£o foi o caso de √Črico Ribeiro. Na √©poca em que entrou no neg√≥cio, a empresa produzia 180 mil sacos de arroz por ano. Para expandir a produ√ß√£o, ele apostou todas as fichas em dois focos: tecnologia e funcion√°rios.

Nos primeiros anos, produzia 180 mil sacas por ano. hoje, s√£o 3 milh√Ķes

 

Nos n√ļmeros da fazenda, Ribeiro tamb√©m conseguiu uma fa√ßanha: saltou de 180 mil sacos de arroz ao ano para 3 milh√Ķes de sacos. √Č hoje o maior produtor de arroz do Brasil e s√≥cio de tr√™s empresas no Rio Grande do Sul: Companhia Agr√≠cola Extremo Sul, Granja Mangueira Agropecu√°ria e Roseira Chasqueiro Ltda. Pai de tr√™s filhos, Ribeiro √© tambem deputado federal (PP/RS).

Disputa é acirrada para definir campeão do café

Minas Gerais √© o Estado que mais produz caf√© no Pa√≠s, sendo respons√°vel por quase 50% da safra nacional, que neste ano deve ficar em 28,7 milh√Ķes de sacas. Mas definir o maior produtor nacional do gr√£o n√£o √© nada f√°cil. A disputa pela lideran√ßa da produ√ß√£o √© feita de gr√£o em gr√£o entre um empreendedor com fazendas no Sul do Estado, Jo√£o Faria da Silva, e outro com propriedades na regi√£o do Cerrado mineiro, Jos√© Carlos Grossi.

O primeiro, tem 59 anos, nasceu em Bauru (SP), se apaixonou pelas terras da região de Alfenas e com mais três propriedades, no ano passado, bateu seu recorde histórico com a colheita de 104 mil sacas do grão. O segundo, outro paulista, um ano mais novo, se formou em Agronomia, foi o pioneiro na produção de café em Patrocínio, no interior mineiro, e colheu, na safra de 2002, 62 mil sacas.

Minas é responsável por quase metade da safra brasileira do produto

 

Jo√£o Faria √© administrador de empresas, propriet√°rio da rede Campneus, revendedora de pneus Pirelli, mora em Campinas, mas visita suas fazendas no Sul do Estado quinzenalmente. Confessa que ‚Äúama o caf√©‚ÄĚ. Tanto que n√£o tem coragem de cortar nenhum dos 7,8 milh√Ķes de p√©s que formam seus cafezais, mesmo reconhecendo que no momento n√£o est√° tendo lucro.

Setor d√° show nas exporta√ß√Ķes
Segundo as √ļltimas proje√ß√Ķes, agropecu√°ria do Pa√≠s terminar√° este ano com uma receita de US$ 27 bilh√Ķes em vendas externas e s√≥ US$ 4 bilh√Ķes gastos com importa√ß√Ķes. Empresas como a Sadia garantem com o com√©rcio exterior quase metade do que faturam

Al√©m de abastecer a popula√ß√£o com alimentos em qualidade e quantidade satisfat√≥rias, o agroneg√≥cio brasileiro est√° trazendo d√≥lares para o Brasil. As exporta√ß√Ķes de produtos agropecu√°rios devem representar uma receita de US$ 27 bilh√Ķes neste ano, de acordo com proje√ß√Ķes da Confedera√ß√£o da Agricultura e Pecu√°ria do Brasil (CNA). A importa√ß√£o desses produtos, fazendo o caminho inverso, n√£o deve chegar a US$ 4 bilh√Ķes. Fazendo as contas, o saldo positivo para o produtor rural brasileiro fica em US$ 23 bilh√Ķes. N√£o h√° nenhum outro setor na economia com resultados t√£o positivos.

Para Ant√īnio Ernesto de Salvo, presidente da CNA, o Brasil est√° se sustentando com uma perna s√≥: a da agropecu√°ria. ‚ÄúE eu nunca vi corredor de olimp√≠ada ganhar pulando num p√© s√≥. O restante da economia urbana vai ter que reverter isso a√≠‚ÄĚ, afirma.

Entre os reis da produ√ß√£o rural, a soja, o a√ß√ļcar e o frango se destacam. O grupo do paranaense Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, movimenta 2,2 milh√Ķes de toneladas de soja ao ano, ou 5,3% da produ√ß√£o nacional. √Č o rei mundial de soja e disputa a primeira posi√ß√£o no ranking com seu primo, Era√≠ Maggi Scheffer, propriet√°rio do grupo Bom Futuro.

Foi preciso muito engenho para Rubens Ometto, engenheiro formado pela Universidade de S√£o Paulo (USP), transformar a Cosan no maior grupo produtor de a√ß√ļcar e de √°lcool do mundo. Multiplicou por dez a Usina Costa Pinto, de Piracicaba, em S√£o Paulo. Para tanto, travou tr√™s guerras societ√°rias entre a fam√≠lia de origem italiana Ometto e vem comprando em s√©rie as usinas falidas no Pa√≠s, que n√£o resistiram √†s turbul√™ncias geradas pela desregulamenta√ß√£o do setor. Com estilo agressivo, √© maior exportador isolado de a√ß√ļcar de cana do mundo, vendendo l√° fora 1,2 milh√£o de toneladas de a√ß√ļcar (11% da pauta de exporta√ß√Ķes).

A Sadia, hoje representada por seu diretor presidente, Walter Fontana Filho, √© outro peso-pesado na exporta√ß√£o. Foi pelas m√£os do seu principal executivo que se transformou em uma empresa mundial. Tanto que encerrou o primeiro semestre com um faturamento de R$ 2,7 bilh√Ķes, sendo que sua receita com exporta√ß√Ķes chegou a 45,4% desse total.

EM 310803

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