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Quarta, 23 Maio 2012 02:53

O Primeiro computador

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Há uma propaganda na tevê em que um menino usa a internet para fazer pesquisa escolar. É uma amostra de como a rede invadiu o cotidiano de milhões de famílias. As lojas de móveis infantis já prevêem espaço para o computador em seus designs mais comerciais. Sabe-se que a energia elétrica, usada para que qualquer eletrodoméstico funcione, foi inventada por Thomas Edison, assim como a linha telefônica, que se conecta ao modem de um PC normal, é herança de Alexander Graham Bell. Ambas são necessárias para o acesso à internet. Mas a origem do hardware, o computador, é uma história confusa.

O primeiro exemplar desse produto tão popular, que se compra em supermercados e lojas de departamentos, como geladeiras e fogões, custou ao mundo apenas US$ 650. Mas, um dia, uma empresa resolveu cobrar royalties pelo direito de fabricação de computadores. O caso foi parar na Justiça Federal dos EUA. E, em 1973, o juiz Earl R. Larson emitiu um veredicto que teve implicações profundas e duradouras para a indústria da informática. Ele determinou, sem sobra de dúvidas, quem inventou o computador.

A pesquisadora Alice Rowe Burks interessa-se pelo assunto há vários anos. "Encontro-me na cômoda posição, como escritora, de ter um dos principais projetistas do Eniac (sigla de Electronic Numerical Integrator and Computer, considerado pelo meio científico o primeiro computador da História) 'na sala ao lado': meu marido Arthur, que, por acaso, também serviu como consultor no julgamento federal e que dividiu comigo, durante anos, esta história", ela conta, em entrevista ao Valor.

Em 1988, ela e Arthur W. Burks publicaram um livro descrevendo o primeiro computador eletrônico, o Atanasoff-Berry Computer, ou simplesmente ABC, projetado em 1938 e concluído em maio de 1942. "Mas seu foco técnico o tornava difícil para o leitor leigo e como a questão da invenção do computador eletrônico é tão importante e ao mesmo tempo tão controversa, senti que precisava escrever uma apresentação popular da história", relata Alice.

No mês que vem, seu novo livro sobre o tema chega às livrarias dos EUA. Chamado "Who Invented the Computer?: The Legal Battle That Changed Computing History", foca a sua pesquisa nas transcrições do julgamento que questionou os direitos de patente da Sperry Rand Corp. É também uma peça de divulgação da causa de John Vincent Atanasoff, o inventor solitário do computador, que, apesar da decisão favorável da justiça, ainda não é totalmente reconhecido em livros e universidades.

A história começa na metade dos anos 30, com Atanasoff dirigindo em disparada pela estrada de Iowa. Ele costumava dirigir em alta velocidade para espairecer, quando quebrava a cabeça para solucionar problemas de física. Diz a lenda que era uma experiência aterradora pegar carona no carro do professor da Iowa State University.

Já existiam computadores mecânicos e análogos, mas Atanasoff acreditava que poderia haver métodos melhores de computação. Um dia, dirigiu de Iowa até um bar em Illinois, tomou três uísques e teve um momento de "Eureka!". Foi quando percebeu que poderia trabalhar no sistema binário, com os números 1 e 0. Ele voltou ao carro um pouco alto, mas com os princípios básicos da computação moderna solucionados.

Atanasoff trabalhou no design de um computador eletrônico e, em 1939, obteve uma verba de US$ 650 para construí-lo. Com o estudante de pós-graduação Clifford Berry, construiu-o no porão do prédio do Departamento de Física da universidade. O protótipo só foi finalizado em 1942, batizado de Atanasoff-Berry Computer.

"Who Invented the Computer" conta bastante sobre o ABC - suas 15 inovações, ou "primeiros" heróicos, por exemplo - para estabelecer sua prioridade técnica na longa sucessão de passos até os computadores de hoje. O ABC tinha o tamanho de uma mesa, pesava mais de 300 quilos, continha cerca de 300 válvulas e 1,6 quilômetro de fios. Para calcular uma simples operação, levava 15 segundos - no mesmo tempo, os computadores de hoje podem fazer até 150 bilhões de operações. Em suma, era grande, lento e pesado. Não passava pela porta do porão em que foi construído, o que contribuiu para que permanecesse na obscuridade.

O inventor bem que tentou vender seu projeto. Bateu na porta da IBM, que, acreditem, não viu futuro nos computadores eletrônicos. "É difícil dizer porque a IBM não viu o potencial do ABC", avalia Burks. "Certamente, a empresa pensou que estava encaminhada para a computação eletrônica por meio do trabalho de Byron Phelps. Além disso, experimentava grande sucesso com seus cartões perfurados e havia a tendência, na época, de continuar com o que estava dando certo."

Em dezembro de 1940, Atanasoff foi a uma palestra sobre um computador análogo projetado para prever o tempo. O palestrante era John Mauchly. Excitado com o conhecimento de Mauchly, Atanasoff o convidou a ir até Iowa ver o ABC. Em junho de 1941, o convidado ficou por cinco dias na casa de Atanasoff, discutindo em detalhes o projeto do ABC. Passados cinco anos, ele ganharia notoriedade pública, ao lado de J. Presper Eckert, como um dos responsáveis pelo Eniac.

O que aconteceu naquele encontro se tornou o pomo da discórdia, que perdura até hoje sobre quem inventou o quê. A troca de confidências foi considerada um fator influente para o veredicto do juiz Larson. "Mauchly certamente aprendeu e usou muitas das idéias de Atanasoff e seu computador no Eniac, sem falar no posterior Edvac (Electronic Discrete Variable Automatic Computer)", diz Alice Rowe Burks defendendo o parecer de 1973. "Acredito que ele foi a Iowa com a intenção de roubar idéias - talvez persuadindo a si mesmo que elas empalideciam diante dos avanços realizados no Eniac, mas também acreditando que iria se safar. Como aponto em meu livro, Mauchly confidenciou que se sentiu liberado para tentar patentear a Memória Regenerativa, porque Atanasoff não parecia mais interessado em projetos de computação."

Mauchly arranjou um emprego como pesquisador na Universidade da Pensilvânia. A Segunda Guerra começou e ele se juntou ao cientista Eckert, obteve grande aporte financeiro do governo e construiu o Eniac como parte do esforço de guerra. Enquanto isso, Atanasoff foi "recrutado" pela Marinha e abandonou seu projeto, indo participar do primeiro teste da bomba atômica no Pacífico. No momento em que o Eniac ganhava notoriedade, o ABC estava sendo desmantelado pela Universidade de Iowa, porque alguém precisava do espaço ocupado pelo computador no prédio de Física. Ninguém notificou o professor.

Os inventores do Eniac requisitaram e obtiveram a patente para o computador digital eletrônico. "Eles pretendiam que mesmo outros computadores mais avançados, inclusive os desenvolvidos antes do término do Eniac, deveriam ser construídos a partir das inovações de programação do Eniac e de armazenamento de programas do Edvac", explica Burks. Depois da guerra, a dupla criou a empresa Univac, que mais tarde foi comprada pela Sperry Rand. A partir daí, esta passou a cobrar royalties altíssimos de todas as empresas que desenvolviam projetos de computação.

Em 1967, a empresa Honeywell processou a Sperry para tentar invalidar a patente e a taxa de licenciamento. Sua fundamentação? Que Atanasoff tinha sido o verdadeiro inventor do computador. Alice Rowe Burks avalia que, se a Honeywell não tivesse usado Atanasoff em sua luta contra a patente do Eniac, Atanasoff poderia ter continuado desconhecido. "Sem o caso na corte, é duvidoso que tivesse vindo à tona informação suficiente para estabelecê-lo do modo como o julgamento o promoveu."

Foi um julgamento feroz. O juiz Larson chegou à sua sentença após passar mais de nove meses ouvindo as partes e outros 19 meses estudando o processo. "Há testemunhos extensos de Mauchly e Atanasoff, acompanhados por cartas reveladoras, que deixam claro que Mauchly aprendeu os princípios críticos do computador eletrônico de Atanasoff", defende Burks. "Há testemunhas oculares e correspondências que substanciam essa conclusão. Finalmente - e crucialmente - há a descrição detalhada do ABC, conforme escrita por Atanasoff em agosto de 1940 e dividida com Mauchly, um documento que experts levados ao banco de testemunhas garantiram bastar para que um técnico construisse tal computador."

Mauchley jurou não ter roubado "qualquer tipo de idéia" do trabalho de Atanasoff. O juiz considerou o contrário. Seu veredicto concluiu: "Eckert e Mauchly não inventaram primeiro o computador eletrônico digital, mas em vez disso derivaram essa obra do dr. John Vincent Atanasoff."

Mas a patente não foi transferida para Atanasoff. Já havia se passado muito tempo desde a conclusão do ABC. O resultado do processo foi que a indústria da computação pôde prosperar sem as cargas pesadas dos royalties. É possível ter uma perspectiva histórica dessa decisão ao reparar que a patente do Eniac expiraria em 1981e que a indústria do PC, que começou com o Altair Kit, em 1974, alçaria vôo com o Apple 2 em 1977, quatro anos antes de a patente expirar, caso fosse considerada válida. "É difícil dizer o que esses inventores pioneiros do PC teriam feito no caso, mas faz sentido pensar que apenas as grandes corporações poderiam trabalhar com computação, em caso de vitória da Sperry Rand."

Mesmo assim, ainda há quem defenda a primazia do Eniac com unhas e dentes. "Existe o que eu chamo de uma 'história por consenso', que tem perpetrado e perpetuado o ponto de vista de que o Eniac foi o primeiro computador eletrônico", diz Burks. "A principal razão para tanto é que, quando o Eniac foi revelado em 1946, foi promovido e aceito como o primeiro do mundo. De sua parte, Atanasoff falhou em reconhecer a incorporação de muitas de suas idéias no Eniac e não se manifestou; nem tampouco publicou seu documento descritivo", continua ele.

Assim, em sua opinião, foi muito difícil reverter essa versão popular dos eventos várias décadas depois, quando a Honeywell, enfrentando royalties exorbitantes, soube do computador eletrônico pioneiro de Atanasoff e sua influência sobre o Eniac. "No meu livro, exploro todas essas circunstâncias, particularmente as atitudes da comunidade da informática, que se opõe à decisão do juiz."

Durante a celebração de seu cinqüentenário, o Eniac continuou a ser referido como o primeiro computador por diversas instituições americanas, como a Universidade da Pensilvânia, onde o projeto surgiu, e o Instituto Smithsonian, que o celebrou como o início da Era da Informação. A história evoca, em muitos aspectos, a aventura do jovem gênio Philo T. Farnsworth, o inventor pouco conhecido da televisão. Mas a autora acredita que, desta vez, haverá um final feliz. "Ao contrário do caso de Farnsworth e a tevê, o caso de Atanasoff e o primeiro computador eletrônico será, eu creio, aceito e reconhecido, porque já tem sido ardorosamente debatido. No final, todas as instituições públicas terão de aceitar a realidade desta história e dar a Atanasoff seu crédito merecido.

Atanasoff morreu de ataque cardíaco em 15 de junho de 1995. Dois anos depois, a Universidade de Iowa apresentou uma réplica exata do ABC. Desta vez, ao custo de US$ 300 mil. Funcionou.

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